Entrevistamos a Ricardo Picáns, membro do Grupo Promotor da Candidatura do Povo

Entrevistamos a Ricardo Picans membro do grupo promotor da Candidatura do Povo para conhecer as origens, expectativas e motivaçons que existem detrás desta iniciativa que se está a dar a conhecer na capital da Galiza nas últimas semanas com duas palavras: temos princípios.

Como nasce a Candidatura do Povo?

A Candidatura do Povo é o resultado dumha confluência de militantes e activistas ligados a distintos movimentos sociais, sindicais e políticos que, ante o cenário das Eleiçons Municipais 2011, achamos que existiam condiçons para apresentarmos umha alternativa ao modelo de cidade que, com matizes menores, defendem e compartilham PP, PSOE e BNG. Umha alternativa com um conteúdo crítico e ruturista que entende a presença institucional como instrumento, como alavanca, mais que como finalidade em si própria. Com estas premissas básicas e partilhando uns postulados soberanistas e umha praxe de esquerda sem demasiados rótulos, pugemo-nos maos à obra e o fruto é esta iniciativa.

Aguardades alcançar representatividade institucional no Concelho de Compostela?

É um repto difícil que a voz que representa a Candidatura do Povo logre coar-se na câmara municipal nesta ocasiom. Contribuem para a dificuldade o facto de sermos umha iniciativa de recente apariçom, a carência de trabalho prévio na cidade, as limitaçons de todo o tipo que enfronta um projecto como este, etc. No entanto, vamo-lo intentar. De todos modos, o nosso horizonte nom é Maio de 2011, mas a construçom dumha dinámica municipalista desde o soberanismo e a esquerda que hoje é inexistente em Compostela. Esse é o objectivo, que é estratégico e nom curto-prazista. Queremos dizer com isto que para nós este processo eleitoral nom é a meta, nem um fetiche, mas o ponto de saída para gerar umha dinámica local que achamos imprescindível.

Que relaçons mantedes com os movimentos populares e os colectivos locais?

Como dixemos, somos umha iniciativa nova. As relaçons que existem com outras iniciativas sociais e políticas locais derivam do conhecimento mútuo entre pessoas de tempo atrás, mas sem existir até hoje nada parecido a umha relaçom orgánica entre agentes distintos. A nossa intençom é que a Candidatura do Povo ganhe progressivamente o carácter de altofalante de sectores sociais e políticos que se situam à margem do consenso institucional e perspectivam outro modelo de cidade. Naturalmente, isso será o resultado de tempo e trabalho, nunca dum apriorismo ou umha auto-proclamaçom. Neste sentido, nas últimas semanas, com o intuito de iniciar a construçom desta relaçom de mútuo respeito e colaboraçom, estamos a solicitar reunions com distintos colectivos e organizaçons que estám implantadas em Compostela e pondo acima da mesa o nosso projecto.

Na declaraçom Temos princípios assegurades que esta iniciativa “veu para ficar”. O que pretendedes afirmar com estas palavras?

Pretendemos afirmar que o nosso objectivo nom se cinge a apresentar umha alternativa num processo eleitoral, nem concebemos a política institucional como o altar da intervençom social. A nossa vontade é que a Candidatura do Povo perdure como umha dinámica municipal de trabalho de base, aglutinando sectores que perspectivam a realidade local e nacional desde umha óptica similar embora apresentem matizes em multidom de questons. Nós achamos que existem condiçons e existe a necessidade de territorializar a política, de superar a tendência a ficar no discurso e as dinámicas nacionais para construir dinámicas locais e comarcais, mais quotidianas, mas coladas à conflitividade social, que permitam construir país e construir contrapoder social, fazer umha política combativa, do dia a dia, activando sectores que hoje permanecem passivos, etc. É todo um repto mas consideramos que é um repto que paga a pena e, numha cidade como Compostela, a necessidade dumha força popular de crítica e oposiçom é gritante… É com este significado que dizemos que “vimos para ficar”. O nosso continua no dia 23 de Maio.

Construçom nacional, política de esquerdas e relaçom com os movimentos populares som três eixos do vosso programa.

Na Candidatura existe umha pluralidade sócio-política real dentro duns lindes definidos polo reconhecimento da Galiza como naçom e sujeito político de direitos, um posicionamento genérico no que reconhecemos como a esquerda num sentido de denúncia da injustiça e transformaçom social, na defesa dos interesses populares, e a vontade de construir umha relaçom bilateral produtiva entre movimentos e agentes sectoriais e umha perspectiva global de cidade e de país. Nestes três parámetros básicos entendemos que podemos converger comodamente gentes com procedências e concepçons diversas dispostas a activar umha política territorializada, do dia a dia, da auto-organizaçom, e cientes de que a nossa voz e as nossas luitas se devem fazer ouvir incluso em esferas hoje privativas dos partidos institucionalistas e dos poderes económicos como reguladores supremos da situaçom e das nossas vidas. Havendo firmeza nas conviçons primárias entendemos que para o combate social nom existem terrenos vedados e desde logo o nível institucional nom é um deles.

A denúncia do “monocultivo turístico” de Compostela aparece como umha ideia-força da Candidatura do Povo. Acaso nom considerades que opor-se à turistificaçom é similar a pretender frear um tsunámi?

A turistificaçom da cidade é parte dum projecto concreto de país e resulta incompreensível se a contemplamos desde um ponto de olhada só municipal. Nós entendemos que o peso crescente que o turismo ocupa no PIB local é fruto de decisons estratégicas que os poderes adoptárom há tempo, mas isto nom implica que estas sejam eternas ou irreversíveis. Vistas as consequências que o “monocultivo turístico” tem na cidade a nível de encarecimento da vivenda, ocupaçom da cidade polo negócio turístico, conversom dos espaços públicos em parques temáticos dos que se desalojam as actividades habituais da vizinhança de qualquer cidade, policializaçom, etc., vistos estes efeitos, entendemos que qualquer modelo alternativo que se preze deve mirar para os interesses da vizinhança, para a diversificaçom económica da cidade e da comarca, liberando-as da dependência exclusiva dum sector económico instável por princípio, etc. Certamente, hoje, denunciar a turistificaçom numha correlaçom de forças como a actual é enfrontar um tsunámi com as maos espidas, mas esta linha de crítica deve abrir-se caminho. Virám tempos em que podamos começar a propor iniciativas e projectos concretos e efectivos, mas o primeiro passo é identificar o que nom nos serve.

Dirám de vós, provavelmente, que “dividides o voto nacionalista” e incluso que facilitades o retorno do PP…

É provável. Nós respostamos a isto com duas evidências: primeira, nós nom temos nengum acordo nem compromisso com nengumha das opçons com presença no Concelho. Nem vamos te-lo. Nom somos a “corrente crítica de …”, mas umha iniciativa com carácter e percorrido próprios. Aguardar que nos comportemos politicamente como se devéssemos algo a algumha destas opçons é pretender situar como satélite o que já é um planeta em si próprio. Nós chegamos aqui para fazer o nosso trabalho. Nom para ser muleta do BNG nem dum bipartido frente ao que somos abertamente críticos.

Por outra parte, em segundo lugar, o “medo ao PP” oculta sempre um facto transcendental: que, no essencial da política local, as diferenças entre o bipartido e a extrema direita católica que representa Conde Roa som muito limitadas. Compartilham o nuclear dum modelo de cidade em que a participaçom social é formal ou inexistente, em que construtoras e imobiliárias som elementos determinantes na vida municipal, defendem um projecto aberrante e antisocial como a Cidade da Cultura, reproduzem idênticas políticas em matéria de liberdades públicas, etc., etc. Desenterrar a ladaínha de que “vem o PP” quando se fai a política do PP em questons fundamentais é algo parecido ao cinismo. E nom estamos por essas.

Algo mais que engadir a esta entrevista?

Sim. Convidamos ao povo já auto-organizado da nossa cidade a dar um voto de confiança a esta iniciativa em que trabalha gente conhecida, “de toda a vida”, fazendo da Candidatura do Povo que acaba de nascer umha ferramenta útil no ámbito municipal que, sem subsumir a riqueza de perspectivas e luitas que existem no movimento popular, sirva para que este disponha de mais um instrumento de reivindicaçom tanto na rua como sobre a moqueta institucional. Achamos que esse instrumento é também necessário e, apesar da humildade com que se devem pronunciar às vezes as palavras, valorizamos que a Candidatura do Povo pode servir para iniciar processos de auto-organizaçom frente a uns poderes políticos e empresariais que, até o presente, cavalgárom com total liberdade em Compostela. Obrigadas e obrigados.

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