Publicamos entrevista a socios do centro social A Gentalha do Pichel sobre a recuperación do Apalpador

Nestas datas de nadal, traemos á nosa páxina a entrevista a varios socios da Comissom de Memória Histórica do centro social A Gentalha do Pichel sobre o proceso de recuperación, dignificación e socialización da figura histórica galega d’O Apalpador no que esta asociación xogou nos últimos anos un papel fundamental. O texto tirado da web Diário Liberdade é publicado na súa normativa orixinal.

Entre outros muitos projetos em que se acham envolvidas e envolvidos, os companheiros e companheiras da associaçom compostelana ficarám para a história da Galiza como os iniciais e principais impulsionadores da recuperaçom de umha tradiçom quase perdida nas montanhas do nosso país.

Graças ao trabalho de campo da Gentalha do Pichel, e a partir de um trabalho teórico publicado por José André Lôpez Gonçâlez, começou a socializaçom do velho carvoeiro que cada dezembro desce da montanha para nos lembrar a importáncia de defender a nossa cultura e evitarmos cair nas redes da mundializaçom despersonalizadora que nos imponhem Espanha e o capitalismo.

Eis a conversa mantida polo Diário Liberdade, sobre tam sugestivo tema, com Paulo Rico, Pepe Árias e José Dias Cadaveira, da Comissom de Memória Histórica da Gentalha do Pichel…

Há já mais de cinco anos que na Galiza começou a falar-se do Apalpador, em grande medida graças ao labor da vossa entidade. Duas perguntas incontornáveis. A primeira: Como é possível que nom existisse conhecimento desse mito anteriormente?

Seguramente, como parte da cultura imaterial do nosso povo, o mito transitou de geraçom para geraçom durante séculos. Porém, esta pergunta pode ser respondida com outra: onde é que estavam as instituiçons culturais para documentarem e recuperarem este mito? É neste momento que temos que pensar para que servem todas as instituiçons que hoje se legitiman como garantes da sobrevivência da cultura galega. O fenómeno da recuperaçom do Apalpador, realizado de baixo polo movimento galego, é apenas umha amostra de um trabalho de investigaçom militante, que vai  das Irmandades da Fala até os nossos dias.

Por muito precárias e voluntaristas que forem as nossas investigaçons, as que nascem do próprio movimento, som hoje a única garantia para o conhecimento do passado da Galiza. A Gentalha fai sua esta aspiraçom, e este livro é umha humilde achega que aponta nessa direçom, a de nom pedir licença nem esperar por ninguém para termos conhecimento da nossa história.

E a segunda: Qual é o balanço destes cinco anos de trabalho no estudo e divulgaçom do Apalpador?

O balanço é muito mais positivo do que poderíamos ter previsto, realmente é um grande sucesso apesar de todo o caminho que ainda fica por fazer para que toda a comunidade nacional assuma de maneira integral o Apalpador como mito para o solstício de inverno. Mas o já conseguido é um capital simbólico e identitário imenso, e a reaçom por parte do espanholismo militante nom fai mais do que confirmar-nos esta análise. A presença nos mediasistémicos, públicos sobretodo, também nom é desprezível apesar da mudança de tendência em muitas administraçons. Fica ainda chegar a muitos pontos da geografia galega e a todo o tecido associativo, mas acho que vamos polo caminho certo e que cada ano damos mais um passo para consolidar esta vitória do movimento popular galego.

É possível a total recuperaçom do velho carvoeiro com o escasso ou nulo apoio das diferentes instituiçons?

Depende do que entendermos por “total recuperaçom”. Se com isso nos referirmos a que o Apalpador protagonize a campanha publicitária do Natal de grandes centros comerciais, é óbvio que nom. Mas é que nós tampouco queremos isso. Deliberadamente, o nosso Apalpador nom é um Pai Natal com outras cores, é algo totalmente diferente polos seus valores: cuidado da natureza, anticonsumismo, etc. Nos últimos anos está-se a repetir até a saciedade que o mercado é a única salvaçom para as nossas tradiçons: fazendo-as “competitivas”.

Com certeza, poderíamos tentar que a Área Central [centro comercial compostelano], por exemplo, empregasse o Apalpador como reclamo publicitário; no estranho caso de aceitarem popularizaria-se muitíssimo, sem dúvida, mas salvaria-se em tanto que marca comercial. Seria já algo tam distinto do nosso Apalpador como o Che Guevara o é de umha camisola. Aliás, a reaçom tam agressiva que no espanholismo suscitou a recuperaçom do Apalpador –em ‘Teoria de inverno’ venhem compiladas algumhas das mais escandalosas– já deixa bem claro que o gigante do Courel tem, afortundamente, muito de indigerível. Nom é um hambúrguer do McDonalds que podes comer em qualquer parte do mundo, mas um caldinho da casa que há que fazer à beira da lareira.

Se nos referirmos já às instituiçons “galeguistas”, é claro que a sua implicaçom poderia ajudar muitíssimo à divulgaçom do Apalpador. Mas também é claríssimo que as elites nacionais, se é que existem, nunca se figérom cargo das suas responsabilidades nem fôrom um exemplo de vanguarda para o resto. A recuperaçom do Apalpador, como a do Merdeiro, das cabaças de Defuntos, da bilharda, da história do arredismo, da memória histórica, ou mesmo da nossa ortografia histórica, foi tarefa das instituiçons comunitárias de que o próprio povo se dotou, de baixo, com trabalho coletivo e anónimo e, quase sempre, face o hostigamento das instituiçons oficiais. E isso é algo impagável de que devíamos estar mui orgulhosas.

Haverá quem diga: Porque o Apalpador e nom o Pai Natal como todo o mundo?

O Apalpador fai parte da nossa história, da nossa cultura e do nosso país, e a tradiçom do Apalpador é, sem dúvida, umha das tradiçons galegas mais ancestrais, umha celebraçom tam popular e enraizada entre o povo galego, que foi quem de sobreviver e chegar viva à atualidade depois de inúmeras tentativas de proibiçom e supressom ao longo da história. Hoje a perseguiçom ao Apalpador continua, mas baixo outras formas: capitalismo-imperialismo, espanholismo e religiom católica. A globalizaçom capitalista-imperialista propom um modelo económico e social único e uniformizador: é o pai Natal criado pola Coca-Cola, símbolo do consumismo mais irracional e irresponsável (natal sinómino de presentes das áreas comerciais).

O espanholismo também trabalha para erradicar todo o que nom representar a “sua” unidade, todo o que for diversidade e portanto um risco para o seu projeto de construçom da naçom espanhola. A terceira, da religiom católica, com os seus reis magos, vestidos luxuosamente, símbolo da repressom e da falsa moralidade católica (só as crianças “boas” recebem presentes). Face a estes modelos alheios e impostos, hoje mais do que nunca, como galegas devemos defender o nosso património e a nossa cultura imaterial. Devemos receber, acolher e festejar a chegada do Apalpador cada natal, um Pai Natal real, humilde, humano, tenro e carinhoso, comprometido e preocupado com que todas as crianças fiquem bem alimentadas e com um brinquedo artesao. O Apalpador é a imagem mais viva da luita da Galiza por um outro futuro de liberdade e por um outro mundo melhor.

Como está a correr a vossa tourné de apresentaçom da ‘Teoria de inverno’?

Ponte d’Eume, Ferrol, Compostela, Vigo, Ponte Vedra, Silheda… o certo é que apresentar ‘Teoria de Inverno’ está a dar-nos umha boa oportunidade para divulgar nom só o livro, senom também a nossa interpretaçom e aplicaçom prática do “resgate” do Apalpador. Está a servir para assentar, com rigor, a hipótese da data concreta de chegada: 24 de dezembro; para reafirmar o poder simbólico da representaçom que Leandro Lamas assinou (casaco verde, boina, barba ruiva e socas ou pantufas); e para explicar a nossa aposta na denominaçom “Apalpador” frente a outras opçons.

Apresentar ‘Teoria de Inverno’, conversar com outros movimentos sociais implicados, debater com outras pessoas protagonistas desta tarefa normalizadora da nossa cultura nacional está a dar-nos umha oportunidade única para defendermos umha posiçom aparentemente contraditória: registar, preservar e divulgar umha mitologia que no plano etnográfico se mostra diversa e levar para a rua umha personagem unívoca, uniforme. É um desafio que apoiamos na comparaçom com a nossa língua.

O vosso trabalho de recolha de testemunhos levou-vos à procura das pessoas mais velhas do rural mais afastado das montanhas galegas. Tirastes algumha conclusom sobre a vida dessas pessoas, para além do conhecimento direto da figura do Apalpador?

Achegarmo-nos à montanha galega oriental foi umha das experiências mais edificadoras que já figemos. Falamos tanto do ponto de vista das celebraçons solsticiais, da consciência de povo e até da reflexom militante. Ir a essas aldeias e aprender das pessoas que ali resistem encheu-nos o tanque de combustível e aperfeiçoou-nos como militantes. Nom empregamos a palavra “resistem” por acaso. A gente com quem aprendemos do Apalpador sabe o que lhes está a acontecer e ostenta umha atitude muitas vezes heroica perante o desmantelamento planificado da Galiza rural. É gente que explica, que teima em que entendas que toda a cultura milenar que os rodeia se desmorona junto às lixeiras das louseiras.

Celsa e o filho, únicos habitantes da aldeia da Pedrinha, contárom-nos que na noite do 24 de dezembro as àrvores reviram e dormem com as raízes para cima: mas nom se pode verificar, porque se o vês ficas cega. Depois contárom-nos como se vai encher a casa de escarcha quando faltarem eles dous.

Quais os próximos projetos da Comissom de Memória Histórica da Gentalha do Pichel?

A Comissom de Memória Histórica, contra o que se pudesse inferir do seu nome se nom fosse polo motivo desta entrevista, nom se dedica apenas à memória do 36. Ainda que neste sentido temos prevista proximamente a apresentaçom no Pichel de dous livros sobre a guerrilha e a repressom. Mas os nossos projetos abrangem toda a história da Galiza. Temos pronto um documento divulgativo sobre os petróglifos da comarca, que é fruto do trabalho de vários anos de dignificaçom e sinalizaçom deste património.

Temos prevista a ediçom de diverso material, nom só as clássicas t-shirts. Prosseguir com a série de cartazes de personagens galegas e pessoas retaliadas da comarca no ano 36. Excursons a lugares de interesse, muitos pouco conhecidos. Explorar os contactos que figemos em Braga na excursom à capital do Reino Suevo. Investigar sobre diversos factos da nossa história pouco conhecidos ou deturpados pola historiografia espanhola, com a conseguinte ediçom de trípticos, realizaçom de palestras e o que surgir… Enfim, temos muitos projetos e há muito trabalho, e por isso encorajamos as pessoas amadoras da história a participarem.

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